terça-feira, 5 de maio de 2009

Caetano Veloso: o mala-mor da MPB - Parte II

Vamos, então, para a segunda parte de meus humildes argumentos (afinal, quem sou eu para criticar tão iluminada e brilhante figura?):

1- Como se pode notar, por tudo o que descrevi no post anterior, a vaidade de Caetano é tão grande que não lhe permite aceitar críticas: aqueles que não o compreendem são tachados de “caretas”, “medíocres”, “conservadores” ou “elitistas”. Um exemplo claro disto foi o que aconteceu no final da década de 1970, quando, em uma entrevista que deu ao “Diário de São Paulo, Caetano respondeu de forma extremamente violenta a alguns críticos musicais que lhe cobravam um maior engajamento e um posicionamento político mais claro, depois de ele dar algumas declarações de que “não sabia nada do que se passava no Brasil e no mundo”. Citando nominalmente José Ramos Tinhorão, Maria Helena Dutra, Tárik de Souza e Maurício Kubrusly, ele dizia que os cadernos de cultura dos jornais e revistas brasileiros eram dominados por uma esquerda medíocre e repressora que obedecia a dois senhores: o dono da empresa e o chefe do partido. Tal entrevista levou o cartunista Henfil a escrever uma dura crítica a Caetano chamando-o de covarde e dedo-duro por denunciar seus críticos como membros do Partido Comunista, em um país onde ser comunista dava cadeia, torturas e até a morte. Mais recentemente, na entrevista citada no post anterior e publicada no jornal “Expresso”, de Lisboa, Caetano respondeu às criticas recebidas por ter sido matéria de capa da revista “Caras” da seguinte forma: “Pode-se gostar ou não, mas acho pior, sendo realmente uma celebridade, fingir que não o sou, que sou chique. Há uma altura em que não se pode aparecer na Caras para se poder ficar numa área superior, como se se pertencesse a uma elite de bom gosto que não se mistura com a vulgaridade dos novos-ricos (...) Por isso, sou a favor do capitalismo, da vulgaridade, sou contra Adorno, que é igual à direita, que quer restaurar a aura das grandes famílias, das grandes posições de responsabilidade cultural detidas por um grupo fechado e excelente” . Não é preciso dizer que todos esses pitis foram dados com grande cobertura midiática...
2- O culto à figura de Caetano é tão forte que se construiu uma memória coletiva sobre ele que é pontilhada por inúmeros esquecimentos. A sua imagem pública é a de uma figura progressista, que foi perseguida pelo regime militar, que possui posições políticas identificadas com uma esquerda “moderna” e que sempre levantou bandeiras de vanguarda. Desta forma, há a lembrança do Caetano exilado em Londres por conta da ditadura, mas esquece-se daquele que - como citei há pouco - dizia, ainda durante os anos de chumbo, que não queria saber de política e que acusava seus críticos de “comunistas”; esquece-se do Caetano que, logo após a eleição de Fernando Collor, declarou ter grandes simpatias pelo novo presidente e por seu discurso “modernizador” ou daquele que, reiteradas vezes, declarou todo o seu apreço por Antonio Carlos Magalhães. Isto sem falar, em tempos mais recentes, do Caetano que foi alçado pelo PhDeus Fernando Henrique Cardoso – de quem se declara um grande admirador – à condição de um dos maiores intelectuais do país. No entanto, insistir em lembrar estes episódios pode fazer com que aquele que tenha esta ousadia receba a pecha de estar agindo como um “patrulheiro ideológico” ou a acusação de não ter a sensibilidade necessária para compreender as inquietações de um artista em permanente mutação (ou seria uma “obra em progresso”?).

E por estas e (muitas) outras que não tenho mais paciência para Caê e suas egotrips. E, para finalizar, não posso deixar de reproduzir as palavras do historiador português Romero Magalhães que, ao ser indagado sobre os já citados comentários do gênio de Santo Amaro da Purificação a respeito da colonização portuguesa no Brasil, respondeu: “Ele se deixou embarcar em qualquer coisa que passou à frente. Além do mais, eu prefiro o Caetano a cantar do que a falar sobre coisas de que não sabe”.

14 comentários:

Mack disse...

O verdadeiro capo da máfia do dendê. Nenhum músico faz nada na Bahia sem o seu consentimento

carlita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Romanzeira disse...

Fãs do Caetano são como os partidários do Gabeira, se fixam numa imagem que já é passado há muuuuito tempo, com uma diferença: o Gabeira pelo menos militou e acreditava na militância, enquanto Caetano sempre teve posicionamento político e ideológico meio contraditórios. É um vaidoso mesmo!
E as declarações dele no jornal português foram de uma ingnorância absurda!

bjos...

Itárcio José de Sousa disse...

Clara e profunda análise do chato do Caetano, você, com sua pena e conhecimento, lava minha alma, era isso que eu gostaria de dizer! Obrigado a você e ao Ministro Joaquim Barbosa! Abraços e vida longa ao Abobrinhas.

C. S. Muhammad disse...

Queridos Argonauta e Romanzeira,
Sou fa da musica de Caetano, sem, no entanto, endeusa-lo (perdoem a falta de acentos graficos), como sugeriram. Sua figura publica e suas "bobagens" nao modificam meu gosto. Mas confesso que no meu MP3 as musicas que tocam do Caetano sao as mais antigas.
Bs

rusi ribas disse...

Concordo em gênero, número e grau. Caetano fez coisas interessantes e parece que o último album dele deu uma melhorada na qualidade (talvez), mas ele passou a última década só requentando as coisas, e da pior maneira possível! Definitivamente não é o gênio da raça (rs,rs).
PS - Como eu faço para acompanhar seu blog, Mr Abobrinha? Não vi nenhum link para isso!

Anônimo disse...

É chover no molhado ou, perder a paciencia falar sobre esse falador de abobrinhas, metidas a intelectualizadas.

Caetano, depois de TRANSA, só teve brilhos esporádicos, nada mais.

Nenhum de seus disco (depois cd´s), foi tao linear, criativo, claro, definitivo.

Ele é brega, banal e, por ter sido criativo num certo período importante da MPB, se acha lá até hoje.

E nao está, há muito.

Qdo fala, caga. E fede, oh boy!, como fede.

É porta voz da direita e sabe disso, se delicia das VATAGEN$$$ q isso lhe rende, enfim ...

Caetano nao faz falta.
Qto a esse papo política q ele finge q saca ... fake. Tá por fora, sempre foi nas ondas dos politizados Gil e Chico.

Enfim, é mesmo chato - me repetindo.

Inté,
Murilo

Itárcio José de Sousa disse...

Matéria interessantíssima no blog do André Lux, link http://tudo-em-cima.blogspot.com/2009/05/nao-deixem-de-ver-zeitgeist-1-e-2.html#links

Veronica Castanheira Machado disse...

Adorei o seu texto sobre o mala caetano. Viva o direito de expressão! Ninguém tem que ser obrigado a pensar da mesma forma ou pelo menos da forma com que esta mídia ditadora nos impõe as informações como verdades absolutas. Caetano está pra lá de ser gênio, foi um bom compositor no passado, mas sempre que abriu a boca na mídia, não prestou.

Argonauta disse...

Camarada Muhammad, nossa representante no coração do Império,

Como deixei claro na introdução do primeiro post, gosto bastante de várias composições do Caetano, notadamente as das décadas de 1960 e 1970. O meu argumento central é o de que o compositor Caetano Veloso vive um processo de decadência criativa, no mínimo desde o início da década de 1990. No entanto, tal declínio é relevado ou ignorado por boa parte da crítica que, ao invés disto, endeusa-o todo o tempo, tratando suas egotrips – inclusive as musicais – como expressões de seu vanguardismo e/ou genialidade. Em segundo lugar, os seus fãs incondicionais – dentre os quais se incluem muitos dos “jornalistas especializados” citados acima – não admitem nenhuma crítica nem ao compositor Caetano, nem ao personagem/figura pública/pseudo-intelectual Caetano (estou fazendo intencionalmente uma distinção quase esquizofrênica entre os “dois”), que ao contrário do primeiro nunca produziu ou disse nada que prestasse. É claro que você não está incluída entre estes que assumem uma postura acrítica diante do bardo baiano – e é por isto que no seu mp3 rolam, geralmente as músicas mais antigas...rs... – e que consideram-no acima do bem e do mal. Parafraseando o grande filósofo e dublê de atleta, Romário de Souza Farias, acho que Caetano de boca fechada é um poeta.

Bjs e Saudades.

Romanzeira,

Eu não tirei “Grândola, Vila Morena” e nem as outras músicas do blog. O site que as hospeda e que fornece o link para colocá-las no “Abobrinhas” – o mp3 tube - é que andou passando por oscilações e, às vezes, elas não apareciam no blog. Mas parece que agora as coisas se normalizaram.

Bjs.

Prezado Rusi,

Confesso que sou um blogueiro um tanto quanto relapso e ainda não coloquei um link no “Abobrinhas” para cadastrar aqueles que o acompanham. Vou providenciar isto rapidamente, Por enquanto, você pode se cadastrar como seguidor do “Abobrinhas” no “Painel” do seu próprio blog.

Abraços.

Arthur Rotta disse...

Bah, essa entrevista que ele deu ao jornal portugues, olha é de ficar com vergonha por ele...
no mais tem outra dele que tu pode levantar: é a cisma dele com a política do Minc criada pelo Gilberto Gil, que desconcentra o apoio financeiro que apenas velhos figurões da "cultura" se beneficiavam (alias adivinha quem eram os tipos que se beneficiavam com a antiga politica do Minc?), Esse assunto foi tema de edição da carta capital que agora não melembro a edição.

L. Archilla disse...

Tinha um profundo respeito e admiração pelo Caetano, por conta de suas composições na época da tropicália, e por isso ignorava as besteiras q ele falava. Mas não deu pra deixar passar qd ele, escondido atrás dessa máscara de vanguardista, cantou um trecho de "Um tapinha não dói" em um de seus shows. bem naquela época pré-maria da penha, onde estava sendo discutida a proibição da música, e talz. pra mim, acabou. meu gato miando tem mais coerência e dignidade do q ele falando.

Anônimo disse...

Na boa, detesto o Ca(r)etÂNUS, mas é o seguinte: as justificativas dele ao defender suas aparições na Caras até que não são tão más... e o Adorno é elitista ao extremo mesmo - e elitismo não tem justificativa, seja de direita ou de esquerda. Como dizia um amigo meu, "chega de Adornos, vamos ao essencial".

Anônimo disse...

Outra: um bom esquerdista "de raiz" acha o máximo manifestações "autênticas" de cultura popular, como samba e carnaval. Já as manifestações "massificadas" e "manipulativas", como a revista Caras (que admito que é um lixo mesmo) são impuras e devem ser queimadas na fogueira - a Inquisição se orgulharia destas posiçoes. Infelizmente, como no caso de programas de TV bem baixaria, há alguma coisa que ressoa no imaginário popular. Como dizia Joãosinho Trinta (com "s" mesmo, de acordo com ele), "quem gosta de miséria é intelectual; pobre gosta é de luxo", o que justifica a Caras. Que gosta de lixo também, como comprovam os Ratinhos, Big Brothers e Márcias Goldschimdts da vida, não há dúvidas... em resumo, abandonem a idéia romântica, porém estúpida, da "pureza proletária", porque as pessoas gostam de muito mais porcarias que sonha o nosso vão esquerdismo.